Nosso cérebro pode ser despertado por reações bottom-up e top-down. A primeira surge quando temos uma ação ou reação sem consciência. É como se viesse de nosso instinto, não passando por nossa cognição. O outro tipo de ação é efetivamente consciente, ou seja, deliberadamente decidimos ter aquele comportamento ou ação. A primeira se liga ao instinto e o segundo a nossa inteligência. Isso vale também para nossa atenção, e portanto, para seu gerenciamento.

A pesquisadora Maja Dyhre Folda da Universidade de Oslo, em sua tese de doutoramento em 2021, desenvolveu estudos relacionados à audição e atenção. Segundo ela, nosso cérebro tem um mapa de sons e nesse mapa, ao ouvirmos algo que está nesse mapa, encaixamos o mesmo a sensações de segurança e, portanto, não temos nossa atenção abalada. Entretanto, se o cérebro percebe algum som que não está no mapa, mesmo que esse som seja na realidade pouco ou nada ameaçador, ele nos alerta, nos deixando direcionados para ele. Quando esse novo som é “aprendido”, entrando assim para nosso mapa, na próxima vez ele não será mais capaz de nos chamar atenção e distrair.

O interessante nesse estudo é que o desenvolvimento de nossa atenção ocorre de modo contínuo, ou seja, estamos o tempo todo aprimorando nosso processo atencional. Entretanto, quanto mais somos conscientes dessas evoluções, mais proveitos podemos tirar dos mesmos. Por exemplo, se você está conversando em uma lanchonete, muito provavelmente terá de manter essa conversa em meio a diferentes sons. Grande parte destes sons não irão te incomodar, distraindo-o do foco principal que é o de manter uma boa conversa com seu interlocutor. Porém, sons fora do esperado podem acontecer e irão muito provavelmente cativar sua atenção. Caberá a você fazer uma rápida analise no mesmo, identificando se este carece ou não de receber mais atenção sua. Não carecendo, descarte-o, ou melhor, passe a considerar-lo como parte daquele ambiente. Assim, seu tempo de queda de qualidade da atenção será mínimo e poderá facilmente manter o encadeamento da conversa a contento. Porém, se o som estranho for, por exemplo, um sinal de incêndio, esqueça a conversa e passe a se comportar de modo a se afastar do possível perigo que aquele ambiente possa estar recebendo.

Essas interrupções dos sons novos ou diferentes não podem ser evitadas, mas como nos comportamos em relação a elas é que faz parte do bom gerenciamento da atenção!