A produtividade, em termos pessoais, poderia ser definida como sendo “o quanto se conseguiu dedicar a algo, alcançando o resultado desejado, em um tempo adequado e a menores custos. Dai, a soma das dedicações de atenção feitas por esta pessoa no final do dia, medida pela quantidade de itens que ela conseguiu cuidar, mostra o quanto ela foi produtiva“. O que você acha dessa definição? Eu acho, no mínimo, questionável!

Podemos ter passado o dia inteiro ocupados, termos realizado diversas tarefas e, em termos de nossas metas e prioridades, podemos ter ficado muito a desejar. Na questão, o fator real de efetividade não está na quantidade e mesmo na qualidade em si, mas sim nas escolhas de atenção que foram feitas.

Podemos dizer que uma pessoa que se dedicou o dia inteiro na busca da solução de um importante problema da organização e que ao término do dia possuia alguns caminhos a seguir no referido problema foi pouco produtiva pois só fez uma ação? E no sentido inverso, termos uma pessoa que passou o dia cuidando de diversas pequenas ações, de baixa urgência e relevância, tendo sido eficiente nas ações sobre elas, como sendo produtiva?

Talvez sim, mas muito provavelmente, não! Vai depender dela ter tido demandas mais importantes para fazer ou não. Se ela tinha, deveria ter dado atenção a ela, deixando as mais fáceis e pouco importantes para depois.

Portanto, produtividade tem a ver com a pertinência das ações realizadas e, a contar disso, a concretização destas na qualidade, tempo e custos adequados, considerando as condições e recursos a ela disponibilizadas. Vejam como a questão é complexa: depende do que, para quem, como, quando, por quanto e em que condições!

Pode ser que a pessoa tenha até feito muito no tempo que teve, considerando as condições e recursos que ela tenha recebido. Mas poderia se ter tido mais retorno, nas mesmas condições, se a demanda tivesse sido dada a outra pessoa, mais capacitada e/ou experiente. Mas pode ser que as duas pessoas, no tempo que foi dado, alcancem resultados semelhantes e mais, se a pessoa mais experiente e capaz receber a demanda em condições piores que a outra menos capacitada, pode ser que esta responda pior que a menos experiente.

A organização, na busca por produtividade que remeta à efetividade (resultados) deve se preocupar em ter bons recursos humanos, conhecê-los, motiválos e capacitá-los, aliando a isto, uma liderança que distribua corretamente as demandas, com equilíbrio, bom senso e com a capacidade de fornecer o ambiente e condições mais adequadas para o desenvolvimento das demandas pelas pessoas. E, de modo amplo, é possível dizer que tudo isto tem relação com a GESTÃO DA ATENÇÃO!

A organização precisa de uma boa atenção para entender e captar os recursos humanos corretos para a realização de suas ações. Estas pessoas, em níveis de gerência, precisam não somente conhecer do trabalho em suas áreas, bem como de que modo este trabalho contribui para a efetivação dos resultados desejados pela organização. Aliado a isto, a formação e desenvolvimento de uma equipe sob sua supervisão com as habilidades necessárias para as ações e todo um arcabouço material, ambiental, informacional e tecnológico para que elas tenham boas condições de trabalho. Se a organização, sua alta direção, os gerentes e os membros de equipe não estiverem trabalhando bem sua atenção, será muito difícil obter a tal produtividade que leva à competitividade e bons resultados.

Como aponta Thomas (2020), as pessoas precisam estar habilitadas a lidar bem com sua atenção, administrando bem as distrações, interrupções e focos, em um ambiente que valorize a boa atenção e atue para que as condições de trabalho sejam as mais propícias para o trabalho atento. E isto demanda:

  • Uma gestão que perceba os requisitos e necessidades das pessoas para chegarem aos melhores resultados, seja em termos cognitivos ou interpessoais.
  • Um contexto que facilite a identificação dos focos principais de cada um, com um fluxo de informações que seja contextualizado, bem dosado e na forma e formato mais adequados, palatáveis e atrativos.
  • Dotar o ambiente das melhores condições possíveis para as práticas de atenção a serem nele desenvolvidas, sejam estas voltadas para locais onde se demanda maior concentração ou para aquelas que exijam atenção dividida ou difusa.
  • Com apenas reuniões necessárias, no menor tempo e envolvendo pautas enxutas e a presença apenas de quem realmente precisa.
  • Desenvolvimento de normas e procedimentos que fomentem as melhores práticas, reforçando um clima e cultura pró boa atenção.
  • Políticas de valorização e premiação às pessoas que apresentem ações e comportamentos atentas e eficazes.

Produtividade, como vimos, é algo complexo e que demanda um trabalho bem feito em termos de como a atenção das pessoas seja direcionada para o foco correto, estando elas preparadas e em condições de atuarem com o máximo de suas capacidades, em um período de tempo adequado, em condições positivas e em prazos exequíveis. Em resumo, uma organização precisa ser atenta e criar uma estrutura, modelo e pessoal capazes de desenvolverem atenção no mais alto grau de qualidade que elas puderem.